Como calcular a rescisão sem justa causa, passo a passo
Publicado em 12/10/2026. Tabelas de INSS e IRRF de 01/01/2026.
Ser mandado embora sem justa causa mexe com tudo ao mesmo tempo: o susto, a papelada, o exame demissional - e aquela pulga atrás da orelha de que o valor na conta não bate. É normal desconfiar, porque a rescisão junta um monte de verbas diferentes numa conta só.
A boa notícia: quando você entende o que cada linha do termo significa, conferir vira coisa de dez minutos. Vamos passar por cada uma, com um exemplo de salário de R$ 3.000,00 para acompanhar.
Comece pelo que você já trabalhou
O saldo de salário é o mais simples - dias trabalhados no mês da saída, com o mês valendo 30 dias. Saiu dia 15? São R$ 1.500,00. Junto dele vêm o 13º proporcional (salário dividido por 12 vezes os meses com 15 dias ou mais) e as férias proporcionais com o terço. Com 8 meses desde o último aniversário de admissão, dá R$ 2.000,00 mais R$ 666,67 de terço. Férias vencidas, se existirem, entram à parte - também com terço.
O aviso prévio muda o tamanho de tudo
O aviso é de 30 dias mais 3 por ano completo, até 90. Quem tem 4 anos de casa soma 42 dias - que, indenizados, valem R$ 4.200,00. E tem um detalhe que muita gente perde: o aviso indenizado conta como tempo de serviço. É ele que pode empurrar o fim do contrato para 27/10, por exemplo, e transformar o 13º em 10 meses (R$ 2.500,00) em vez de 9.
FGTS, multa e o que vem depois
A empresa deposita os 8% sobre as verbas e paga a multa de 40% sobre o saldo total. Você saca tudo e, cumprindo os requisitos, ainda pode pedir o seguro-desemprego. Sobre descontos, a lógica é esta: INSS e Imposto de Renda mordem o saldo e o 13º; o aviso indenizado escapa do INSS (mas entra no IR) e as férias indenizadas escapam do IR.
A empresa tem até 10 dias corridos depois do fim do contrato para pagar. Antes de assinar, rode os seus dados na calculadora de rescisão, imprima o resultado e confira linha por linha - questionar na hora é muito mais fácil que correr atrás depois.