Férias: como calcular o valor, o 1/3 constitucional e o abono de 10 dias
Publicado em 17/10/2026. Tabelas de INSS e IRRF de 01/01/2026.
As férias estão chegando e, junto com a mala, vem a dúvida de todo ano: quanto vou receber, afinal? O contracheque das férias parece escrito em outro idioma - salário, terço, abono, descontos. Vamos traduzir, com um exemplo de R$ 3.000,00 de salário para acompanhar.
O ponto de partida: depois de 12 meses de trabalho, você tem direito a 30 dias de descanso, e cada dia vale o salário dividido por 30. Em cima do total vem o famoso terço constitucional - um bônus de 1/3 previsto na Constituição. Com 30 dias, são R$ 3.000,00 de férias mais R$ 1.000,00 de terço: R$ 4.000,00 brutos.
Quanto o governo morde - e o que escapa
Nem todo desconto pega tudo. O INSS incide só sobre as férias - o terço é isento desde 2020. Já o Imposto de Renda morde férias mais terço juntos, com dependentes e desconto simplificado aliviando a base. No nosso exemplo, o INSS dá R$ 248,60, o IRRF zera e o líquido fica em R$ 3.751,40.
Vender 10 dias: quando vale a pena?
O abono pecuniário permite converter até 10 dias em dinheiro: você descansa 20 e recebe 10. O pedido pode ser feito a qualquer tempo dentro do período concessivo. No exemplo, o abono vale R$ 1.000,00 mais R$ 333,33 de terço - e como o bruto total é o mesmo, o líquido segue R$ 3.751,40. Ou seja: vender dias troca descanso por dinheiro na mão, sem mágica tributária. Vale a pena quando você precisa do reforço no caixa mais do que dos dias livres.
Os prazos que ninguém pode furar
A empresa tem que pagar até 2 dias antes de você sair - se atrasar, paga em dobro. Faltas injustificadas cortam os dias (de 6 a 14 faltas, caem para 24 dias; de 15 a 23, para 18). E dá para dividir as férias em até 3 períodos, desde que você concorde: um com pelo menos 14 dias e os outros com 5 ou mais.
Antes de combinar as datas com o chefe, simule o seu caso - salário, dias, abono - na calculadora de férias e chegue na conversa sabendo exatamente quanto vai receber.